Minimalismo: onde o “menos é mais”

April 25th, 2008 Escrito por: filipesouza

Vivemos em um mundo onde a propaganda, as formas, os sons , imagens e cores estão por toda a parte. Seja no mundo real ou digital, nos deparamos a todo o momento com sites onde a informação aparece: piscando, pulando e indo de um lado ao outro. A informação aglutinada para dar conta dos anseios dessa “nova sociedade digital” em se manter informada é o que mais vemos na rede.

Em alguns casos fica complicado fugir desse amontoado de textos e imagens, como em portais, zines, intranets, etc… Em outros momentos, podemos minimizar o efeito “carregado” optando por soluções mais simples: design leve e arquitetura de informação direta e sem rodeios.

Para resolver essa questão, que talvez se torne um ruído na comunicação mídia digital >> usuário, os designers de mídias digitais, ou webdesigners - como preferir, recorreram ao Minimalismo.

O Minimalismo é um dos diversos movimentos artísticos e culturais que atravessaram o século XX. Caso queira se aprofundar no assunto, sugiro uma visita ao artigo no site do Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Minimalismo.

E dessa vertente artística, que vem o bordão: onde o menos é mais. Muito usado por designers, arquitetos e programadores visuais.

O Minimalismo em design digital

Trabalhar com o conceito de design minimalista parece uma tarefa fácil e sem nenhuma complicação. Talvez, porque a principio você nada mais tem a fazer do que expurgar toda e qualquer vontade louca de incrementar o layout do site.

Mas isso é muito difícil! Digo isso porque como designer, acho muito, mas muito complexo me libertar da ânsia de colocar mais cor, degradês, imagens trabalhadas, boxes entre outros elementos gráficos para dar “riqueza” ao trabalho.

O segundo layout desenvolvi usando o mínimo de recursos gráficos e utilizando somente uma página. Onde todo o conteúdo do site pode ser lido, sem que o visitante saia buscando desvairadamente por links.

Layout 01 - Necessita da ação do visitante para acessar o conteúdo. (Clique na imagem para ampliar)

Layout 01 - Necessita da ação do visitante para acessar o conteúdo:

Layout 02 - Todo o conteúdo está condensado em uma única página. (Clique na imagem para ampliar)

Layout 02 - Todo o conteúdo está condensado em uma única página.

E o cliente?

Tudo bem que, esteticamente, um site minimalista é tido como simples, porém faço minhas as palavras do escritor Roger Cahen, no livro – Tudo o que os gurus não lhe contaram sobre Comunicação Empresarial (Editora Best Seller – 11ª Edição/2007):

“…Temos verdadeiro pavor de expor nossas idéias de forma clara e direta por julgarmos que, agindo assim, os outros vão achar que somos simples – no sentido de simplórios ou bobos. Assim, clareza, simplicidade e transparência vão ficando cada vez mais raras, e aqueles que as usam são, no mínimo, classificados como Excêntricos”. E o autor continua: “Acredito que a verdadeira beleza está na simplicidade, nitidez e transparência – seja de formas, seja de idéias.”

Esse pensamento do escritor Roger Cahen sintetiza o pensamento de designers e arquitetos de informação, mas vai contra a concepção de muitos clientes ao se defrontarem com um site minimalista. E talvez seu cliente se recuse a pagar um valor tido como exorbitante por um trabalho que “não tem nada”.

Direto e Reto

Um projeto minimalista expõe sua idéia de forma direta, sem voltas e entraves, que podem vir a existir. Mas como expliquei há alguns parágrafos atrás: - Ser minimalista é complexo.

Acredito em uma simbiose. Você pode desenvolver um site sem abusar de recursos gráficos, sem levar seu visitante/leitor a um balé através de links e dar a ele o que o coitado mais quer: INFORMAÇÃO!

Mas o conceito de “design para sites minimalista” ainda é uma teoria em formação. Poucos adotam esse conceito e muitos o acham sem graça e não vale investimento algum.

Onde aplicar esse conceito?

Sites sobre cursos, eventos empresariais, área de saúde, são alguns bons exemplos de aplicabilidade. Geralmente o público alvo desses sites estão em busca apenas de informação direta e sem rodeios: Quanto custa, quando será, o local do evento, atrações e conteúdo do curso. Mais nada.

Um exemplo interessante é o site desenvolvido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, para ajudar a população na prevenção da epidemia de dengue: www.riocontradengue.com.br.

O site só peca por poluir a página principal com notas sobre a doença. Na parte superior do site, já deveriam vir informação de prevenção e telefones para denunciar os focos de dengue. E remover a terceira coluna, já que de nada serviu.

E poderiam usar tableless para desenvolver o site ao invés de tabelas. E nenhum FLASH!!!! Para que menu em FLASH? Flash tinha que ser abolido de casos como esse, em que o acesso ao site é monstruoso. Flash depende de plugin, browser, velocidade de conexão entre diversos outros fatores: E se a pessoa for deficiente visual? Pronto! Não acessa o site.

Publicado em: Midia Digital

One Response

  1. Laila

    Excesso de informação e cores berrantes faz mal pros olhos e confundem o leitor, prejudicando a acessibilidade do site, causando desinteresse do usuário.

    Procede? Aprendi direitinho?

    beijo ;*

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Sobre o autor:

Trabalho com comunicação digital há oito anos, sou um profissional de mídias, mas com interesses multidisciplinares.
O que sei produzir?
Atualmente planejo e desenvolvo soluções para todo o tipo de negócio digital. Integro equipes com diversos focos: tecnologia (TI), conteúdo, design e marketing. Gerencio a criação e manutenção de sites e projetos digitais.

Tenho formação em jornalismo, mas decidi ir além das palavras, letras e textos. Gosto de pesquisar e projetar soluções digitais, interatividade, novas ferramentas, tendências, mídias sociais, endomarketing e marketing multimídia.

Criei esse Wordpress para saciar meus anseios em mostrar o uso de recursos digitais na Comunicação Empresarial com foco no público interno e em campanhas de incentivo.