Há algumas semanas atrás me senti velho e totalmente fora do tempo e espaço quando ouvi o que uma menina de pouco mais de oito anos disse ao pai.  Estava eu na Livraria Travessa em Ipanema, quando uma menina puxa o pai e solta a seguinte pérola: - Vamos pai! Quero sair daqui. Comprar cd é coisa de velho. Imagina se meus amigos me vêem aqui comprando cd? Tem que baixar da internet! Que mico!

Olha só que desaforada essa pequena criatura! Fiquei rindo muito na hora. Foi engraçado, mas ao mesmo tempo aterrorizante! Sou um saudosista nato. Adoro ouvir cd, ouvir disco de vinil e ler livros e HQs. Que essa menina não leia esse post, senão ela me colocaria à venda em uma loja de antiguidades. Mas fiquei pensando no assunto por alguns dias. Imaginem se essa nova geração admitir que tudo quanto é forma cultural e bens de consumo devam ser baixados livremente da internet. Acredito piamente que essa criaturinha seja uma seguidora fiel dos princípios de Adorno e Horkheimer em suas dialéticas sobre a Indústria Cultural.

Sempre achei utópico todo esse papo furado dessa dupla. Inclusive nas aulas de Teoria da Comunicação eu me achava o exemplo máximo “do contra”. Eu era totalmente contra a balela defendida pelos pensadores Adorno e Horkheimer. Compro cd, comprei muito disco na minha vida, compro e leio pelo menos três livros por mês, assino três revistas (BRAVO, Superinteressante e Você S/A), assino jornal (Jornal do Brasil), compro DVDs, vou a shows.  É bem verdade que eu também baixo CDs e filmes pela internet, mas só aqueles que não vou ter como comprar, ou por serem importados ou não achar em loja a preços cômodos. Um exemplo é o novo cd do Frejat, me recuso a pagar R$ 39,90 dinheiros em um cd. Enquanto uma obra prima como o Labiata do Lenine me saiu por R$ 25,00, o que ainda é um preço alto, mas é acessível.

Enquanto esses pensadores acreditavam que cultura só poderia e deveria ser consumida “in loco” e não distribuída em pedaços de plástico e vendido, transformando assim a cultura em bens de consumo, talvez agora esses pensadores devam estar se contorcendo em seus respectivos caixões, já que tudo virou uma zona.

O que antes era consumido como cultura, agora é distribuído livremente sem nenhum controle. Esses pensadores acreditavam que só poderia ser considerado como obra cultural se você a presenciasse in loco, ou seja, fosse a um concerto ou ao teatro por exemplo. A partir do momento em que a musica foi gravada e vendida, passou a se tornar um produto, e não mais uma opção cultural.
Só que atualmente, podemos até dizer que os CDs são distribuídos livremente através da rede. Ou seja, reforçamos a destruição do paradigma do bem de consumo. Já que essa distribuição “livre” está acabando com as gravadoras.  Em contra partida, os shows dos artistas ficaram extremamente caros. Atualmente se encontra ingresso a R$ 400, 00. Os produtores culpam a meia entrada e por isso aumentam tanto o valor do ingresso. Mas convenhamos que uma meia entrada de R$ 200 paus ainda é pra lá de salgado.

Será que nos tornamos então uma sociedade totalmente sem cultura? Já que está cada vez mais difícil assistir a um show, procure pela tabela de preços do TIM Festival desse ano! E olha que o evento estava caidasso. Por outro lado as novas gerações nos ridicularizam por comprarmos CDs em lojas e na internet. E isso já demonstra que quando tiverem poder aquisitivo suficiente, se quer pensarão na possibilidade de gastar alguns trocados em CDs.

                                    Será o Fim?

 Marcelo Camelo – Sou

Nunca fui fã dos Los Hermanos, que se diga bem a verdade eu odiava com todas minhas forças aquela banda formada por playboys pseudo politicamente engajados, estudantes da PUC e metidos a saudosistas moderninhos. A sonoridade da banda então eu achava execrável e uma tentativa enfadonha de misturar: chorinho, samba de raiz, alguma coisa de jazz com leve aroma de rock n roll.
E claro que como em toda banda, a figura do vocalista é responsável por 90% da aceitação do grupo, bem como sua identidade. E eu tinha NOJO do Marcelo Camelo. Uma mistura new hippie com militante do MST e um estilo que foi assumido pelos outros integrantes ou vice-versa, não me importo.

A cada lançamento dos Los Hermanos eu tentava pegar para ouvir e era sempre a mesma ladainha e eu gostava de uma ou duas musicas. Quando a banda terminou fiquei indiferente ao assunto. Não me fez falta alguma.

Pois bem, em 2008 o frontman da banda lança seu álbum solo intitulado SOU (ou Nós) se inverter a capa do cd, isso graças ao poema visual criado pelo Rodrigo Linares, amigo de Camelo. E não é que o disco é muito bom? Com uma atmosfera que remete a marchinhas de carnaval, misturando a isso, algumas pitadas de bossa nova e chorinho. Na verdade o cara meio que fez a mesma coisa que ele fazia nas musiquetas mais lentinhas do Los Hermanos, talvez seja só o jeitinho “sonso” dele cantar. E é esse diferencial que me fez gostar do cd. A aproximação com a MPB e a Bossa Nova me alegrou, já que aliado ao jazz são estilos que ando consumindo aos montes de alguns anos para cá.

Como esse disco chegou as minhas mãos? Bem, comprei no submarino junto com o último cd do Lenine “Labiata”, só que o cd do Marcelo foi um presente para minha namorada, que a coitadinha levou umas duas ou três semanas para receber. Depois de convertido para mp3 e ganhou um lugar no meu celular, foi então que dei o cd de presente.

Entre minhas faixas favoritas estão: Tudo Passa, com uma levada menos densa e não tão intimista. Isso já se modifica na faixa seguinte “Passeando”, a musica tem apenas um verso, uma levada de violão linda e parece que Marcelo canta no ouvido e baixinho. E é justamente essa a sensação quando se ouve todo o disco: - Ter Marcelo Camelo cantando ao ouvido e a cada melodia doce e suave da musica consegue remeter o ouvinte a uma atmosfera que a música popular brasileira já perdeu há algum tempo. Confira em “Solidão”, onde assovios, voz, violão e mais alguns instrumentos esbanjam sonoridade calma e reflexiva. A pianista convidada Clara Sverner participa do cd com a linda instrumental “Saudade”.

Esse trabalho de Camelo é um disco que não será compreendido e assimilado na primeira audição. Sou sincero em afirmar que gostei do cd logo de cara, mas admito que seja um trabalho mais denso e que deve ser assimilado com o tempo, isso para os mais desavisados.

No final das contas, com esse trabalho solo, a visão que eu tinha do Marcelo Camelo foi totalmente modificada e não tem um dia se quer que não ouço esse cd. E ando cogitando seriamente em passar meu carnaval pelo bairro do Peixoto para conferir se os velhinhos são bons de papo mesmo e se as gordinhas são esse alvoroço todo mesmo! (risos) :P.

dsc03722.jpg

Onde? Circo Voador – Rio de Janeiro/RJ

Quando? 12/04/2008

Foi uma noite de muito calor no Rio de Janeiro, o clima estava ideal para o show da banda americana de hardcore, Bad Brains. O grupo finaliza no Brasil, a tour que promoveu o lançamento de seu mais recente trabalho de estúdio: “Build A Nation”. O disco é o oitavo na carreira da banda, que já soma trinta anos. O trabalho, que foi produzido pelo baixista do Beastie Boys, Adam Yauch, foi lançado ano passado e recebeu muitos elogios da crítica.

E o lugar escolhido para o show não poderia ser melhor: a Lapa. Iluminada pela lua crescente, que já está no seu ponto de “quase” cheia, o Circo Voador, um dos muitos vizinhos “classudos” do bairro, começava a receber timidamente os primeiros fãs da banda, no horário previsto para a abertura dos portões, por volta das 22h.

O reduto da boemia carioca desde os anos 50, não mudou muito em suas características iniciais. Ficou mais glamurosa? Sim. Menos violenta? Talvez. Mas a vida noturna agitada, onde gatunos e prostitutas fazem seus ganhos e bêbados perambulam sem rumo atrás de mais uma dose é a mesma, que a mais de meio século. Atualmente, esse cenário convive facilmente com patricinhas, playboys e punks da Renner. Para realçar mais a paisagem local, por volta da meia noite, os arredores do Circo Voador já estavam lotados de fãs das mais diversas tribos: punks, headbangers, rastafáris, hippies, entre outros.

A espera era ansiosa, já que o grupo pisava em terras brasileiras pela primeira vez. O Bad Brains, que está na estrada desde o final da década de setenta, começou como um grupo de jazz, que se enveredou para o lado do hardcore.

O nome Bad Brains vem de uma musica do Ramones. A banda ganhou uma reputação de peso, não só em Washington DC, sua cidade natal, como também em todo os Estados Unidos, já que foi o primeiro grupo negro a investir na mistura de punk, hardcore e reggae. E logicamente graças a suas apresentações energéticas, além da qualidade dos músicos.

O grupo influenciou uma geração de outras bandas como: Beastie Boys, Red Hot Chilli Peppers, Nirvana, Black Flag, Living Colour, Rage Against the Machine, entre outros.

Bacana esse papo todo do parágrafo anterior, mas e o show? Pois é…Sabem como é o Circo Voador não é? Já passavam de 0:30h, e nada de Bad Brains no palco. O show só foi começar quatro horas depois, já eram mais de 1:30 da manha de domingo quando o quarteto liderado por monstros sagrados da mistura de hardcore + punk + reggae subiram ao palco para um show cheio de energia, amor e paz invadir as dependências do Circo Voador. Se é que essa composição é possível, mas foi o que aconteceu. Acreditem!

O show já começa com adrenalina e energia fora de controle. O carismático Israel Joseph (vocal) estava em uma sintonia perfeita com a platéia. Em ótimo e compreensível português, já que mora em uma comunidade brasileira em Los Angeles.

O vocalista a todo o momento chama de irmãos, o publico que se matava (no bom sentido) na frente do palco. Israel Joseph pulava de um canto ao outro do palco, e balançava seus “dreads” com força suficiente para descolar a cabeça do pescoço.

dsc03743.jpg

O guitarrista Dr. Know, já beirando os 60, desfiava seus riffs e bases com um bom humor surpreendente. Mesmo com seus “dreads” com muitos fios brancos, Dr. Know junto com a cozinha poderosa de Darryl Jennifer (baixo) e Earl Hudson (bateria) massacraram o Circo ao entoar hinos de uma geração: Right Brigade, I Against I, Sailin’ On, até a nova Expand Your Soul, fizeram o set list dos sonhos de quem já esperava a banda há anos.

As rodas de mosh e os stage diving estavam liberados, a galera não perdia tempo em subir no palco e voar em cima do publico, que agitava e segurava os loucos, que se atiravam aos montes. Muitos desses fãs, foram ajudados pelo próprio vocalista da banda a subir no palco. Israel Joseph não agüentou e também se atirou no meio da galera.

É ótimo ver um grupo com tanta estrada, ainda tocando com a mesma gana e qualidade de fazer inveja a bandas novas. O Bad Brains consegue equalizar como ninguém um set list onde o som “nervoso” do hardcore consegue conviver de forma híbrida com musicas de levada reggae.

No final do show e com a sensação do dever cumprido, todos da banda se despedem e saem do palco. Já o público: atônito, e com um brilho no olhar, deixava aos poucos as dependências do Circo Voador e se misturava as centenas de pessoas que transitavam pela Lapa, em um horário que o local já estava fervendo de gente e com todos seus points lotados.

Ingresso para o Ozzy na mão!

Comprei ontem (02.04.08) meu ingresso para ver o Mr. Madman. Foi estranho comprar o ingresso. Há quanto tempo mesmo que não faço isso? (risos). Desde quando criei o Metal Zone, em meados de 2001, que eu não sei o que é comprar ingressos. Ia a show somente com credencial, cobria os eventos, fotografava, fazia minhas matérias e tchau! Esse é o lado bom de ser jornalista. Com sinceridade.

Foi um saco sair do trabalho, ir até a FNAC no Barra Shopping, comprar o ingresso e voltar! A foto ai emcima, foi tirada aqui no meu trabalho. Detalhe para o pôster do Black Sabbath, que fica colado na minha baia.  E para minha sorte, quando cheguei à FNAC e fui comprar meu ingresso, a mocinha que me atendeu, informou que não tinha mais ingressos para pista.  Só que nada como um jeitinho carinhoso e meigo de bom menino que sou, para conquistar o coração dela.  A moça procurou no sistema e tinha mais um único ingresso.  Comprei o último ingresso de pista!

Com a falta de tempo para atualizar o portal, o excesso de trabalhos, pesquisa e estudo, nem tive como correr atrás. Mas com o ritmo que as coisas estão tomando na minha vida, será cada vez mais comum eu deixar de ir à shows menores, e me concentrar na minha vida profissional!

Só que OZZY é OZZY! Essa é a segunda vez que assisto o Madman ao vivo. A primeira foi em 1995 no Phillips Monsters of Rock em São Paulo. Acho muito difícil que o velho Ozzy retorne à terras tupiniquins depois dessa passagem.

O melhor desse show, é que Ozzy traz na sua bagagem o Black Label Society, banda do Zakk Wild, guitarrista que toca com Ozzy. E ainda os moderninhos do Korn.