Marcelo Camelo – Sou

Nunca fui fã dos Los Hermanos, que se diga bem a verdade eu odiava com todas minhas forças aquela banda formada por playboys pseudo politicamente engajados, estudantes da PUC e metidos a saudosistas moderninhos. A sonoridade da banda então eu achava execrável e uma tentativa enfadonha de misturar: chorinho, samba de raiz, alguma coisa de jazz com leve aroma de rock n roll.
E claro que como em toda banda, a figura do vocalista é responsável por 90% da aceitação do grupo, bem como sua identidade. E eu tinha NOJO do Marcelo Camelo. Uma mistura new hippie com militante do MST e um estilo que foi assumido pelos outros integrantes ou vice-versa, não me importo.

A cada lançamento dos Los Hermanos eu tentava pegar para ouvir e era sempre a mesma ladainha e eu gostava de uma ou duas musicas. Quando a banda terminou fiquei indiferente ao assunto. Não me fez falta alguma.

Pois bem, em 2008 o frontman da banda lança seu álbum solo intitulado SOU (ou Nós) se inverter a capa do cd, isso graças ao poema visual criado pelo Rodrigo Linares, amigo de Camelo. E não é que o disco é muito bom? Com uma atmosfera que remete a marchinhas de carnaval, misturando a isso, algumas pitadas de bossa nova e chorinho. Na verdade o cara meio que fez a mesma coisa que ele fazia nas musiquetas mais lentinhas do Los Hermanos, talvez seja só o jeitinho “sonso” dele cantar. E é esse diferencial que me fez gostar do cd. A aproximação com a MPB e a Bossa Nova me alegrou, já que aliado ao jazz são estilos que ando consumindo aos montes de alguns anos para cá.

Como esse disco chegou as minhas mãos? Bem, comprei no submarino junto com o último cd do Lenine “Labiata”, só que o cd do Marcelo foi um presente para minha namorada, que a coitadinha levou umas duas ou três semanas para receber. Depois de convertido para mp3 e ganhou um lugar no meu celular, foi então que dei o cd de presente.

Entre minhas faixas favoritas estão: Tudo Passa, com uma levada menos densa e não tão intimista. Isso já se modifica na faixa seguinte “Passeando”, a musica tem apenas um verso, uma levada de violão linda e parece que Marcelo canta no ouvido e baixinho. E é justamente essa a sensação quando se ouve todo o disco: - Ter Marcelo Camelo cantando ao ouvido e a cada melodia doce e suave da musica consegue remeter o ouvinte a uma atmosfera que a música popular brasileira já perdeu há algum tempo. Confira em “Solidão”, onde assovios, voz, violão e mais alguns instrumentos esbanjam sonoridade calma e reflexiva. A pianista convidada Clara Sverner participa do cd com a linda instrumental “Saudade”.

Esse trabalho de Camelo é um disco que não será compreendido e assimilado na primeira audição. Sou sincero em afirmar que gostei do cd logo de cara, mas admito que seja um trabalho mais denso e que deve ser assimilado com o tempo, isso para os mais desavisados.

No final das contas, com esse trabalho solo, a visão que eu tinha do Marcelo Camelo foi totalmente modificada e não tem um dia se quer que não ouço esse cd. E ando cogitando seriamente em passar meu carnaval pelo bairro do Peixoto para conferir se os velhinhos são bons de papo mesmo e se as gordinhas são esse alvoroço todo mesmo! (risos) :P.

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