Black Sabbath – 13 (2013)

Escrevi recentemente essa resenha para o Metal Zone, mas para não deixar o Blog mais parado do que já está…

Black Sabbath - 13
Black Sabbath

Os três senhores responsáveis pela criação do Heavy Metal e com seus mais de sessenta anos de idade carregaram em suas costas nos últimos meses, todo o peso da responsabilidade e de toda uma história honrosa que o nome Black Sabbath carrega. A missão desses nobres senhores? Manter a tradição!

Senão bastasse, o guitarrista Tony Iommi luta contra o câncer, o vocalista Ozzy Osbourne trava sua batalha contra a recaída nas drogas e uma possível separação de sua esposa, Sharon Osbourne. E o mais notável: eles passaram dos 60 anos, mesmo com uma vida de exageros! E continuam tão bons como em 1970.

Esse trabalho já merece nota dez pelo esforço coletivo desses monstros sagrados da música, independente do estilo musical que o leitor ouça. Esses três senhores que compuseram 13: Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo), estão na ativa desde meados da década de sessenta, só para não aprofundar muito em datas. E juntos foram responsáveis por compor músicas que serviram de alicerce para posteriormente outros músicos criassem inúmeros estilos musicais. Serviram de inspiração para centenas de músicos e até hoje são referencia para novas bandas.

E foi justamente esse trio remanescente da formação original, que juntos lançaram o álbum “Never Say Die”, o último trabalho de estúdio do Black Sabbath isso em 1978, há exatos 35 anos atrás.

No momento em que escrevo esse texto, penso no frio na barriga que esses senhores, mesmo que com uma experiencial musical de quase meio século, sentiram enquanto estavam compondo e gravando esse trabalho. Sabendo que o mundo do Rock/Metal aguardavam ansiosos pelo lançamento de 13.

Quando coloquei 13 para “rolar” no meu mp3 player, não deu para esperar a amazon despachar os originais, que os primeiros acordes de “End Of Beginning” já me prenderam!

A marcação do baixo de Geezer Butler é inconfundível, os riffs e solo do Tony Iommi ainda estão intactos e Ozzy, que nunca foi grandes coisas como vocalista, cantando como Ozzy. O que mais o ouvinte quer?

É Black Sabbath em sua essência. É aquele velho demônio adormecido nas profundezas mais obscuras e frias do inferno, que abre sua cripta, espalhando sombra e destruição enquanto se levanta e ainda consegue urrar para mostrar que está vivo e forte. Esse demônio NUNCA morreu!

A segunda faixa do play “God is Dead?”, já havia sido liberada há algum tempo atrás e serviu para aguçar a vontade de alguns pelo novo trabalho da banda ou apenas alimentar o ceticismo de outros.

Após mais de 16 minutos de música, isso mesmo, as duas primeiras musicas somam exatamente 17:01 minutos, a faixa “Loner” é mais um exemplo de peso absurdo e musicalidade bem no estilo Black Sabbath. Para quebrar o clima “Zeitgeist” é uma baladinha blues. E não tem como me fazer deixar de lembrar a música “Planet Caravan” do álbum Paranoid (1970).

As pedradas “Age of Reason” e “Live Forever” dão sequencia ao disco e são ótimas. Em “Age of Reason”, o baixo de Geezer divide bem o comando da marcha para a guerra, com as levadas pesadas de Tony Iommi. Os solos de “Live Forever” beiram o descomunal. É Tony Iommi transbordando criatividade e vivacidade. O guitarrista mostra que ainda é uma tremenda fábrica de riffs.

E para fechar o cd mais dois grandes sons: “Damaged Soul”, com sua levada cadenciada e cheia de blues, pesada e melancólica. Em “Dear Father” outro momento de peso do cd. Desta vez o destaque fica para o baterista do Rage Against the Machine, Brad Wilk.

O cd saiu em versão deluxe com mais três músicas: Methademic, Peace of Mind e Pariah. E os fãs brasileiros podem comemorar, pois o CD já está na pré venda nos principais sites de e-commerce do Brasil. O preço não está muito diferente do lançamento europeu ou americano. O álbum custa no Submarino R$ 33,90.

Sem sombra de dúvida que “13” é mais um tiro certeiro do produtor Rick Rubin, os incrédulos e chorões de plantão que se mordam. Esse lançamento pode figurar tranquilamente entre os melhores discos da fase Ozzy do Black Sabbath.

Agora resta para nós fãs aguardar as lojas enviarem nossos pedidos, para quem comprou 13 na pré venda e os shows da banda em outubro no Brasil.

Post original do Metal Zone: http://www.metalzone.com.br/site/resenhas/materia.php?sec=6&a=395&g=6&cod_materia=290

 

Ozzy Osbourne + Korn + Black Label Society

03/04/2008
Local: Rio de Janeiro – HSBC Arena


Após treze anos desde a última apresentação de Ozzy em terras brasileiras, a noite de quinta-feira prometia muita diversão aos nove mil fãs ensandecidos que compareceram ao HSBC Arena, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Já no final da tarde, um exército de adolescentes e muitos jovens acima dos 30,40 e 50 anos, se dirigiam para o local do show. Mesmo com a iminência de desabar um aguaceiro torrencial. Isso não foi o suficiente para desanimar ninguém a comparecer. Pessoas de todas as partes da cidade do Rio de Janeiro, do interior e de outros estados como: Minas Gerais, Espírito Santo e do Nordeste, se aglomeravam dentro e fora da arena. A massa de preto já lotava as imediações do HSBC Arena, um local muito bem escolhido para a realização do show. A “arena” possui uma infra-estrutura de primeiro mundo, fácil acesso, acústica ótima e possibilita uma boa visão do espetáculo, mesmo das arquibancadas laterais.

No horário previsto, por volta da 20:20, o Black Label Society subia ao palco para um show mortal e cheio da “marra” por parte do guitarrista e líder da banda, Zakk Wild.

Zakk, que também é musico da banda principal de Ozzy, deu um show a parte com suas encenações e virtuosismo das seis cordas. A banda que até pouco tempo não me chamava muita a atenção, esbanjou técnica, peso e energia.

Todos os músicos são excelentes, mas é lógico que as peripécias de Zakk chamaram a atenção de todos por ali. Além de Zak, o guitarrista Nick Catanese também alegrou os fãs da “ala direita” do palco, esbanjando simpatia e distribuindo paletas a vontade para quem estava mais próximo à grade de proteção.

O Black Label Society veio para divulgar seu último trabalho de estúdio, o excelente “Shot to Hell”, lançado no Brasil em 2006 pela gravadora Nuclear Blast. O setlist do show, apesar de curto, teve muitas músicas desse último cd. Ao vivo as músicas são tão pesadas e ensurdecedoras quanto no cd.

Depois da apresentação fulminante do Black Label Society, o palco foi rapidamente desmontado para a entrada do Korn. A banda (pogobol, clique aqui para saber o que é um pogobol, caso você não tenha vivido a década de 80 ou brincado com um ) fez uma apresentação um pouco mais longa, agradou seus fãs e saiu.

A ansiedade tomou conta de todos na arena. Os fãs de Ozzy, se espremiam em frente ao palco. No telão atrás da bateria, o logo com o nome do vocalista causava arrepios aos jovens fãs, que histéricos, entoavam em uníssono: “Olê, Olê, Olêeeee, Ozzê, Ozzê”. E o Mr. Madman, provocativo como ele só, incitava cada vez mais o público, por trás do palco, pelo microfone, repetia o coro: “Olê, Olê, Olêeeee”, e o público respondia: Ozzê, Ozzêeeeee.

As luzes se apagaram e nos telões uma brincadeira já costumeira de Ozzy. O vocalista gosta de usar cenas de filmes clássicos e aparecer na cena como personagem. E dessa vez usou Piratas do Caribe 3, apareceu como Jack Sparrow, e ainda mordeu a cabeça de um papagaio. Brincou embaixo das saias da Rainha Elisabete, fez parte da Família Soprano, Lost, entre outras que divertiram muito o público.

Quando Carmina Burana eclodia nos alto falantes, já se sabia que o espetáculo seria magistral. E assim foi quando o Madman saiu correndo para saudar seu público e vice versa.

O show abriu com “I Dont Wanna Stop”, segunda faixa do álbum Black Rain, lançado em maio de 2007. Depois foram muitos clássicos da carreira do quase sessentão.

Após a música de abertura, Ozzy e banda fizeram uma seqüência arrepiante com: Bark at the Moon, Suicide Solution e Mr. Crowley. E quando você achava que o sonho não poderia ficar melhor, fecharam a primeira parte do set com: War Pigs e Crazy Train, essa última levou o público ao delírio.

Para quem acha que Ozzy não é nada mais do que aquela figura caricata que o tornou ainda mais famoso no seriado The Osbournes, pode rever seus conceitos. Ao vivo o vocalista mostra porque é considerado o pai do heavy metal e um verdadeiro e único showman. Ozzy tem o público em suas mãos. Se o Madman pede para que gritem, seus súditos atendem, se pede para que pulem, mais uma vez é atendido, se pede para cantarem junto com ele ou que façam barulho o quanto puder, ninguém pensa um segundo sequer: – Faz.

Antes de dar início a segunda parte do set, um solo de guitarra sem igual e mais uma vez cheio de “marra” do animalesco Zakk Wild, o cara (Zakk) parece uma mistura de caminhoneiro/motoqueiro e viking.

E Zakk é uma fera mesmo. Depois de atacar em um show sem igual com o Black Label Society, ainda teve muita lenha para queimar tocando com Ozzy e fazendo um excelente solo de quase cinco minutos. O solo de Zakk teve direito a tocar com a guitarra atrás das costas, com a boca, sentado e só faltou plantar bananeira.

Sem perder tempo e com mais baldes de água para o público, Ozzy vem com um clássico do Black Sabbath: Iron Man. Em No More Tears o baixo do ex White Zombie, Rob Nicholson (Blasko) deu alguns problemas, que foram muito bem contornados com o carisma sem igual de Ozzy. Baixo consertado e os primeiros acordes de “No More Tears” ensandeceram os fãs que cantaram cada frase.

Mais uma faixa do novo trabalho de Ozzy, a oitava musica do cd “Here for You” fez os ânimos se acalmarem um pouco, mas “I Don’t Want To Change The World” e “Mamma I’m Coming Home” foram seqüências perfeitas.

E para fechar a noite com chave de ouro, Ozzy pede mais a participação do público e grita: – Paranoid. Pronto! O que sobrou do HSBC Arena iria desmoronar agora. Zakk mandou ver nos primeiros riffs de um dos clássicos do Black Sabbath, enquanto a cozinha certeira formada pelo ex Faith No More, Mike Bodin na bateria e o ex White Zombie – Blasko no baixo deram mais uma vez conta do recado.

Ao final de Paranoid, um pequeno incidente poderia ter tirado o brilho da noite, quando Zakk solta a guitarra em cima do publico, e alguns fãs tomam o instrumento do guitarrista, que pula no meio da galera para resgatar sua preciosidade, mas a guitarra volta destruída às mãos de Zakk Wild.

A banda se despede e o público fica a ver navios, já que na empolgação que Ozzy estava, com certeza caberia mais uma música para fechar a noite.

Enfim, são coisas que só acontecem no Rio mesmo. Lembram do episódio com o Iron Maiden em 1996? Quando a banda saiu do palco sem cantar o bis?