Há algum tempo atrás fiz um comentário no blog do líder dos Engenheiros do Hawaii – Humberto Gessinger.  Esse comentá ficou tão rico de informações sobre mim e as minhas descobertas musicais, que resolvi transformá-lo em post.

Não sei se você tem tempo para ler todos os comentários aqui, mas após ler seu post sobre o OUÇA O QUE EU DIGO: NÃO OUÇA NINGUÉM, toda a minha adolescência veio como um filme.

Lembro-me de quando eu morava em Resende (interior do Rio de Janeiro) tinha 9 anos e fui correndo até o orelhão pedir pro locutor da rádio local tocar novamente “Ando Só” e pedi pra ele esperar eu voltar pra casa porque queria gravar a música. E não foi que ele tocou a música? Fez um comentário engraçado, que não lembro agora, e deixou o som rolar.

Eu tinha uma coleção de fitas da Disney com o áudio das histórias infantis: branca de neve, Pinóquio entre outras. Só que eu tinha acabado de descobrir o rádio e por sua vez o rock dos Engenheiros. Fiquei maluco com a sonoridade da banda e com as letras. E substitui as historias infantis por várias musicas dos Engenheiros, Barão Vermelho, A-há, Cazuza, Led Zeppelin, Gênesis e Pink Floyd.

Meu pai achou muito legal meu recente gosto musical e dizia: – Esses rapazes dos Engenheiros do Hawaii são muito inteligentes, as letras e as capas são bem legais. Isso mesmo, você precisa ouvir musica boa, que acrescente algo na sua vida, dizia meu pai. E me deu de presente duas fitas K7: Várias Variáveis dos Engenheiros e uma coletânea do Raul Seixas.

Em dois anos eu já estava ouvindo heavy metal e bandas como: Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Black Sabbath, Skid Row e Helloween explodiam nos autofalantes lá de casa.

E em nenhum momento deixei os Engenheiros de lado. Certa vez fui à casa de um amigo para gravar uns LPs dele e no meio da coleção “from hell” tinha o OUÇA O QUE EU DIGO: NÃO OUÇA NINGUÉM, não titubiei e gravei o disco na mesma hora. O amigo ainda perguntou: – Tem certeza que você quer gravar isso? Eu só tenho porque foi a minha namorada que me deu. E disse em voz alta: Claro! Blasfêmia você dizer isso sobre a banda!

Fiquei ouvindo minha fitinha durante semanas e descobri, que o “OUÇA O QUE EU DIGO: NÃO OUÇA NINGUÉM” era meu disco favorito!!!

Era engraçado, porque da minha galerinha “from hell” eu era o único que curtia Engenheiros e não tinha vergonha de dizer e nem escondia os discos da banda…Os únicos discos que eu escondia da galera para eles não saberem que eu gostava era do Alceu Valença e do Zé Ramalho (risos).

Certa vez na escola, no livro de português tinha um trecho da música “Somos Quem Podemos Ser” para fazermos uma análise poética. A professora perguntou se alguém conhecia a banda ou a música. Todo orgulhoso levantei a mão e na aula seguinte levei a música gravada em uma fita para analisarmos na aula.

Recordo-me de todos os momentos em que eu chegava da escolha e ligava a TV no Programa Livre ou Matéria Prima e ficava doido quando eram os Engenheiros tocando.
Infelizmente nunca vi o show da banda e olha que eu sou escolado em shows.

Tinha me tornado fã número um da banda. E hoje com 33 anos, jornalista, com uma modesta coleção de quase três mil cds, centenas de Lps, dvds e mesmo com todo o avanço tecnológico existente, fiz questão de ter todos os cds da banda, os da fase trio. E não deixo de ouvir nunca Engenheiros. De acompanhar as peripécias musicais e literárias do Humberto, que através da sua poesia musical e de seus dois ex-companheiros de banda transformaram minha adolescência e cultivaram em mim o gosto por música de qualidade e pela cultura universal.

Valeu HUMBERTO e Cia. 😛

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Engenheiros do Hawaii e EU

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