Vinil é como cerveja, só traz boas recordações, já mp3….

Acredito que não há como deixar de gostar do som de um bom vinil. Não consigo simplesmente parar de ouvir discos. Vinil não é apenas nostálgico, talvez seja realmente uma arte. A arte de degustar um bom vinil.

Tenho 35 anos e fui a ultima geração que teve o privilégio de curtir música em vinil. Quando comecei a comprar discos, por volta do ano de 1993,  antes disso eu só tinha fitinhas K-7 gravadas.  Nesse período eu já conhecia algumas pessoas que iniciaram o processo de atualização, ou seja, se desfizeram de seus discos para comprar CD’s. Infelizmente também trilhei esse caminho. Cheguei a ter cerca de 500 discos, e hoje tenho pouco mais de 120.

Em meados da década de 90 comecei a trocar meus LP’s por CD’s.  Arrependo-me amargamente de ter feito isso.  E quando chegou a onda do MP3, não repeti os erros do passado.  Não pensei em nenhum momento em substituir minha coleção de CD’s por MP3.  Que sorte!

 

Música é algo fabuloso e vamos pensar friamente: – Quem tem boas histórias para contar com MP3?  Cada disco que tenho me traz uma recordação, seja ela da minha adolescência ou da transição para a fase adulta.

Lembro-me de cada história ou fato interessante e qual disco eu estava ouvindo. É possível colocar de outra forma: Cada disco que pego, me traz uma recordação ou aflora na memória um fato marcante.  Consigo lembrar das conversas com amigos nas tardes de sábado ou domingo.  Consigo lembrar para quem emprestei determinado disco e a reação da pessoa ao ouvir o material.

Certa vez eu tinha comprado uma versão japonesa do álbum High Live do Helloween, foi assim que o CD saiu.  Um amigo ficou maluco pelo disco, e eu não tinha achado isso tudo.  E como foi caro para caramba,  então negociamos o CD. Em troca do CD ele me deu mais de dez discos, consigo lembrar de alguns:

– Accept – Restless & Wild;

– Slayer – Decade of Aggression

– Kreator – Extreme Aggression

– Alguns Iron Maiden

Entre outros que não me recordo, isso tem mais de dez anos!

Agora pergunto: – Quais são as histórias que você conta baixando MP3? Nenhuma  né?  Todas elas começam com você na frente do computador e mais nada!  Não é a mesma coisa!  Baixar MP3 não tem o mesmo caminho trilhado como quem garimpa um LP.  Vai até a loja, escutou na casa de um amigo. Comprou o LP, atravessou a cidade até chegar em casa e botou a bolachona pra rolar.

Consigo lembrar perfeitamente dos primeiros discos que comprei.  Foram três: Angra – Angels Cry, Black Sabbath – Paranoid e Sabbath Bloody Sabbath.  Estava com meu pai em um loja na cidade de Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro.  Só não lembro o motivo de estar na cidade,  mas enfim.  Fomos passear no shopping e me deparei com uma loja imensa de discos. E logo de cara vi essas três pérolas.  Na mesma hora dei uma implorada para o eu velho, que comprou.

Até hoje tenho meu primeiro toca-discos. Ganhei quando tinha 15 anos. Um Sony básicão, mas que funciona perfeitamente desde 1993.

Acho que dedicarei uma seção aqui do blog só para resenhar meus LP’s, ilustrarei com fotos e relatos interessante. Um resenha por semana está de bom tamanho.  Gostaria de escrever mais sobre vinil, mas a falta de tempo amarga a vontade.

Enquanto escrevia esse posto lembrei de várias histórias.

Bem, quem sabe mais para frente!

 

Ainda sobre o 13 do Black Sabbath

black-sabbath-13

Deixa eu ver se entendi bem essa jogada! Tem gente reclamando que o novo trabalho do Black Sabbath tá “mais do mesmo”. O disco parece uma banda de stoner moderna ou um dos primeiros discos do Sabbath!


Pera ai! Essa banda que vcs estão criticando não é a mesma que criou a bagaça toda????? E queriam que a banda soasse como?

É dessa fonte que bebe o Orchid, Reverend Bizarre, Statik Majik, Sepultura entre outros!!!

Vcs queriam que o novo do Black Sabbath soasse como o que?? KKKKKKKKK
Gente insatisfeita!!!

Fico acompanhando os posts de jornalistas, músicos e amigos dos quais sou fã e 13 é unanimidade entre eles!

Black Sabbath – 13 (2013)

Escrevi recentemente essa resenha para o Metal Zone, mas para não deixar o Blog mais parado do que já está…

Black Sabbath - 13
Black Sabbath

Os três senhores responsáveis pela criação do Heavy Metal e com seus mais de sessenta anos de idade carregaram em suas costas nos últimos meses, todo o peso da responsabilidade e de toda uma história honrosa que o nome Black Sabbath carrega. A missão desses nobres senhores? Manter a tradição!

Senão bastasse, o guitarrista Tony Iommi luta contra o câncer, o vocalista Ozzy Osbourne trava sua batalha contra a recaída nas drogas e uma possível separação de sua esposa, Sharon Osbourne. E o mais notável: eles passaram dos 60 anos, mesmo com uma vida de exageros! E continuam tão bons como em 1970.

Esse trabalho já merece nota dez pelo esforço coletivo desses monstros sagrados da música, independente do estilo musical que o leitor ouça. Esses três senhores que compuseram 13: Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo), estão na ativa desde meados da década de sessenta, só para não aprofundar muito em datas. E juntos foram responsáveis por compor músicas que serviram de alicerce para posteriormente outros músicos criassem inúmeros estilos musicais. Serviram de inspiração para centenas de músicos e até hoje são referencia para novas bandas.

E foi justamente esse trio remanescente da formação original, que juntos lançaram o álbum “Never Say Die”, o último trabalho de estúdio do Black Sabbath isso em 1978, há exatos 35 anos atrás.

No momento em que escrevo esse texto, penso no frio na barriga que esses senhores, mesmo que com uma experiencial musical de quase meio século, sentiram enquanto estavam compondo e gravando esse trabalho. Sabendo que o mundo do Rock/Metal aguardavam ansiosos pelo lançamento de 13.

Quando coloquei 13 para “rolar” no meu mp3 player, não deu para esperar a amazon despachar os originais, que os primeiros acordes de “End Of Beginning” já me prenderam!

A marcação do baixo de Geezer Butler é inconfundível, os riffs e solo do Tony Iommi ainda estão intactos e Ozzy, que nunca foi grandes coisas como vocalista, cantando como Ozzy. O que mais o ouvinte quer?

É Black Sabbath em sua essência. É aquele velho demônio adormecido nas profundezas mais obscuras e frias do inferno, que abre sua cripta, espalhando sombra e destruição enquanto se levanta e ainda consegue urrar para mostrar que está vivo e forte. Esse demônio NUNCA morreu!

A segunda faixa do play “God is Dead?”, já havia sido liberada há algum tempo atrás e serviu para aguçar a vontade de alguns pelo novo trabalho da banda ou apenas alimentar o ceticismo de outros.

Após mais de 16 minutos de música, isso mesmo, as duas primeiras musicas somam exatamente 17:01 minutos, a faixa “Loner” é mais um exemplo de peso absurdo e musicalidade bem no estilo Black Sabbath. Para quebrar o clima “Zeitgeist” é uma baladinha blues. E não tem como me fazer deixar de lembrar a música “Planet Caravan” do álbum Paranoid (1970).

As pedradas “Age of Reason” e “Live Forever” dão sequencia ao disco e são ótimas. Em “Age of Reason”, o baixo de Geezer divide bem o comando da marcha para a guerra, com as levadas pesadas de Tony Iommi. Os solos de “Live Forever” beiram o descomunal. É Tony Iommi transbordando criatividade e vivacidade. O guitarrista mostra que ainda é uma tremenda fábrica de riffs.

E para fechar o cd mais dois grandes sons: “Damaged Soul”, com sua levada cadenciada e cheia de blues, pesada e melancólica. Em “Dear Father” outro momento de peso do cd. Desta vez o destaque fica para o baterista do Rage Against the Machine, Brad Wilk.

O cd saiu em versão deluxe com mais três músicas: Methademic, Peace of Mind e Pariah. E os fãs brasileiros podem comemorar, pois o CD já está na pré venda nos principais sites de e-commerce do Brasil. O preço não está muito diferente do lançamento europeu ou americano. O álbum custa no Submarino R$ 33,90.

Sem sombra de dúvida que “13” é mais um tiro certeiro do produtor Rick Rubin, os incrédulos e chorões de plantão que se mordam. Esse lançamento pode figurar tranquilamente entre os melhores discos da fase Ozzy do Black Sabbath.

Agora resta para nós fãs aguardar as lojas enviarem nossos pedidos, para quem comprou 13 na pré venda e os shows da banda em outubro no Brasil.

Post original do Metal Zone: http://www.metalzone.com.br/site/resenhas/materia.php?sec=6&a=395&g=6&cod_materia=290