Por que não posso mais criar ou publicar GPTs no ChatGPT Plus?
por: Filipe Souza
Eu descobri essa mudança de um jeito meio absurdo.
Fui mexer nos meus GPTs e percebi que aquela possibilidade que existia há anos — criar uma ferramenta personalizada e publicá-la para outras pessoas — simplesmente não funcionava mais como antes.
A primeira coisa que pensei foi:
“Será que aconteceu alguma coisa com a minha conta?”
Não.
A OpenAI mudou as regras.
E, para mim, isso não é uma mudança pequena.
Hoje eu tenho dezenas de GPTs criados dentro do ChatGPT. Só na minha tela de “Meus GPTs”, neste momento, aparecem pelo menos 29.
Alguns são privados.
Outros foram publicados e usados por centenas ou milhares de pessoas.
Tenho GPT para e-mail marketing, produção de artigos, planejamento de conteúdo, criação de posts, jornalismo, documentação jurídica, negócios, afiliados, vídeos, resenhas e ferramentas desenvolvidas especificamente para clientes.
Não estou falando, portanto, de um recurso que testei meia dúzia de vezes e abandonei.
Eu realmente transformei os GPTs em ferramentas de trabalho.
E agora, usando uma conta pessoal do ChatGPT Plus, não posso simplesmente criar o próximo.
O que mudou para as contas pessoais do ChatGPT?
De acordo com a documentação atual da OpenAI, a criação e a publicação de novos GPTs não estão mais disponíveis nas contas pessoais do ChatGPT.
Isso inclui os planos:
Free;
Go;
Plus;
Pro.
Eu uso uma conta Plus.
Ou seja, não é uma limitação exclusiva de quem utiliza o ChatGPT gratuitamente.
E nem mesmo migrar do Plus para o Pro resolve necessariamente o problema.
A distinção feita pela OpenAI deixou de ser apenas entre conta gratuita e conta paga.
Agora existe uma divisão mais importante:
conta pessoal de um lado e workspace administrado do outro.
A criação de GPTs continua disponível em ambientes como:
O mais estranho é olhar para tudo que eu já construí
Quando entro hoje em “Meus GPTs”, vejo quase um arquivo da maneira como fui usando inteligência artificial nos últimos anos.
Por exemplo, criei a Máquina de E-mails — Filipe Souza, voltada à produção e à diagramação de e-mails.
Para a Seclien, desenvolvi ferramentas específicas de marketing, como o SECLIEN | Email Marketing e um GPT criado para transformar conteúdos do blog em vídeos curtos.
Tenho o Ponto da Beleza — Criador de Posts, desenvolvido para transformar materiais em publicações para redes sociais.
Nos projetos de conteúdo, existem ferramentas como:
Blog Writer;
Gerador de Pautas;
Plano de Conteúdo para Blog;
Blog Writer Pro;
Gerador de Matérias Jornalísticas;
Criador de Posts para LinkedIn;
Gerador de Descrições para Carrosséis do Instagram.
Mas, entre todos eles, existe um caso que torna essa mudança ainda mais difícil de entender: o Gerador de Matérias Jornalísticas.
Eu criei esse GPT para analisar releases de imprensa e transformá-los em matérias jornalísticas completas, com estrutura, contexto e uma linguagem pronta para publicação. Ele não ficou abandonado dentro da minha conta como um simples teste. Hoje, já ultrapassou a marca de 10 mil conversas.
Dez mil conversas.
Isso mostra que uma ferramenta que começou como uma ideia minha encontrou uma necessidade real e passou a ser utilizada publicamente por muita gente.
Se quiser conhecer e testar o Gerador de Matérias Jornalísticas, acesse:
E é justamente nessa hora que eu penso: caramba, eu consegui construir uma ferramenta que já passou de 10 mil conversas e, agora, para continuar criando e publicando outros GPTs como esse, vou precisar mudar de plano?
Também criei experiências completamente diferentes.
Uma delas é o LegalDoc GPT — Políticas & LGPD Personalizadas, voltado à produção de documentos como Política de Privacidade e Termos de Uso.
Tenho GPTs para elaboração de planos de negócios, descoberta de ideias, produção de resenhas, resumo de livros, descrição de vídeos, produtos afiliados e criação de estampas para camisetas.
Alguns foram feitos exclusivamente para mim.
Outros foram criados para clientes.
E vários foram disponibilizados publicamente.
Na minha própria tela aparecem GPTs com mais de 100 chats, 1.000 chats e até 10.000 chats.
Por isso essa mudança me incomoda tanto.
Eu não estava apenas conversando com o ChatGPT.
Eu estava construindo pequenas ferramentas em cima dele.
Os GPTs que já existem continuam funcionando
Existe uma boa notícia no meio disso tudo.
A OpenAI não apagou os GPTs que já haviam sido criados.
Os existentes continuam disponíveis e podem continuar sendo utilizados. Dependendo do plano e das permissões da conta, também podem continuar sendo editados.
Então surgiu uma espécie de linha divisória.
Se eu criei determinado GPT antes dessa mudança, ele continua lá.
Posso abrir.
Posso usar.
Em alguns casos, posso atualizar suas instruções, arquivos e conhecimentos.
O que eu não consigo é criar outro do zero dentro da mesma conta pessoal.
É uma situação bastante curiosa.
Eu olho para uma lista enorme de ferramentas que construí dentro da plataforma e, ao mesmo tempo, não consigo continuar esse processo criando a próxima.
Afinal, o que é um GPT personalizado?
Quem nunca criou um pode imaginar que se trata apenas de colocar um nome e uma imagem em cima do ChatGPT.
Não é bem assim.
Um GPT pode receber toda uma estrutura própria de funcionamento.
É possível definir:
instruções;
comportamento;
tom de voz;
processos;
regras;
documentos de referência;
arquivos de conhecimento;
exemplos;
capacidades específicas;
integrações com serviços externos.
Na prática, eu posso pegar um modelo de inteligência artificial generalista e dizer:
“Você será responsável especificamente por esta função.”
Depois, forneço o conhecimento, as regras e os exemplos necessários para que ele execute aquele trabalho de determinada maneira.
Foi exatamente assim que utilizei muitos dos meus GPTs.
Um GPT não precisa ser apenas um chatbot
Essa talvez seja uma das coisas que mais me interessam nesse conceito.
Nunca enxerguei um GPT personalizado simplesmente como um chatbot criado para ficar conversando com alguém.
Dependendo da maneira como é construído, ele funciona muito mais como uma pequena ferramenta.
Pense no meu GPT de e-mail marketing.
A função dele não é bater papo comigo sobre marketing.
Existe um processo.
Eu envio determinados materiais.
Ele interpreta aquele conteúdo.
Consulta as orientações que recebeu.
Aplica as regras definidas previamente.
E produz uma saída dentro do padrão que eu estabeleci.
Outro GPT pode receber um artigo e transformá-lo em posts.
Outro pode analisar um conjunto de materiais e gerar pautas.
Outro pode produzir uma documentação seguindo uma estrutura específica.
A inteligência artificial utilizada como base pode ser a mesma.
O que muda é o sistema construído ao redor dela.
A grande vantagem era poder compartilhar tudo com um link
Esse é outro ponto importante.
Imagine que eu desenvolva uma metodologia inteira para executar determinado trabalho.
Sem um GPT personalizado, talvez eu precise entregar para outra pessoa:
um prompt enorme;
um documento explicando como utilizar;
arquivos separados;
regras;
exemplos;
orientações sobre o que fazer em cada situação.
Depois disso, ainda precisaria torcer para que a pessoa montasse tudo corretamente.
Com um GPT, eu podia simplesmente entregar o link.
A pessoa abria a ferramenta e começava a usar.
Boa parte da complexidade ficava escondida.
Para o usuário, o processo era muito simples:
abre;
pergunta;
recebe o resultado.
É o mesmo princípio que torna qualquer software útil.
O usuário não precisa conhecer toda a lógica que existe por trás da ferramenta.
Ele precisa saber o que pode fazer com ela.
Alguns dos meus GPTs chegaram a milhares de conversas
Esse é um ponto que considero especialmente importante nessa discussão.
A GPT Store permitia que essas ferramentas não fossem utilizadas apenas pelos próprios criadores.
Algumas das que publiquei foram usadas por centenas de pessoas.
Outras chegaram à casa dos milhares de conversas.
Tenho inclusive um GPT que aparece hoje com mais de 10 mil chats.
Isso mostra que havia um ecossistema real ali.
Pessoas criavam ferramentas.
Outras encontravam essas ferramentas.
Experimentavam.
Usavam.
Compartilhavam.
Algumas eram realmente úteis.
Outras provavelmente não serviam para quase nada.
Como acontece em qualquer loja de aplicativos ou plataforma aberta.
Mas existia uma porta de entrada para o criador independente.
E é justamente essa porta que agora ficou muito mais estreita.
Por que a OpenAI tomou essa decisão?
Aqui eu acho importante separar informação oficial de interpretação.
A OpenAI informa quais tipos de conta podem criar novos GPTs e quais não podem.
O que ela não apresenta é uma longa explicação dizendo exatamente por que tomou essa decisão.
Então, daqui para frente, estou falando da minha leitura sobre o que está acontecendo.
A impressão que tenho é que a OpenAI está reposicionando os GPTs como ferramentas internas de ambientes administrados.
Business.
Enterprise.
Edu.
São ambientes que possuem administradores, usuários, permissões, políticas de compartilhamento e controles organizacionais.
Se a empresa está tratando os GPTs cada vez mais como ferramentas internas de organizações, essa mudança até possui uma lógica.
O problema é que existe um grupo enorme de usuários que não se encaixa perfeitamente em nenhum dos dois extremos.
E quem trabalha sozinho?
Existe uma quantidade enorme de profissionais que usa inteligência artificial de maneira profissional, mas não faz parte de uma grande empresa.
Freelancers.
Consultores.
Desenvolvedores independentes.
Jornalistas.
Profissionais de marketing.
Designers.
Criadores de conteúdo.
Pequenas agências.
Empreendedores individuais.
Eu me encaixo bastante nesse grupo.
Uso inteligência artificial em projetos meus e de clientes.
Crio ferramentas.
Testo processos.
Desenvolvo automações.
Transformo trabalhos repetitivos em sistemas.
Nem por isso preciso necessariamente de uma estrutura Enterprise.
E é justamente esse tipo de profissional que poderia aproveitar os GPTs personalizados para experimentar ideias, organizar métodos de trabalho e criar pequenas ferramentas especializadas.
Até quem paga pelo plano Pro entrou na mesma regra
Talvez essa seja uma das partes mais curiosas dessa mudança.
Estamos acostumados com produtos digitais que funcionam mais ou menos assim:
o plano gratuito recebe poucos recursos;
o intermediário recebe um pouco mais;
o mais caro recebe praticamente tudo.
Aqui não.
A documentação inclui as contas pessoais Pro entre aquelas que não podem criar novos GPTs.
Portanto, o critério deixou de ser simplesmente o preço da assinatura.
Uma pessoa pode estar pagando por uma modalidade pessoal mais cara e, ainda assim, não ter acesso à criação.
Enquanto isso, um usuário dentro de um workspace Business pode receber essa permissão.
Isso mostra que os GPTs estão deixando de ser tratados prioritariamente como um recurso individual.
E o que acontece com a GPT Store?
A GPT Store nasceu com uma proposta muito parecida com uma loja de aplicativos para inteligência artificial.
Qualquer pessoa com acesso à criação poderia desenvolver uma ferramenta especializada e disponibilizá-la para outros usuários dentro do próprio ChatGPT.
Para experimentar uma ideia, isso era fantástico.
Não era necessário desenvolver uma aplicação inteira.
Não precisava criar uma interface.
Não precisava manter servidor.
Não precisava construir um sistema de autenticação.
Em muitos casos, bastava organizar o conhecimento, configurar as instruções, testar e publicar.
Agora essa dinâmica muda.
Os GPTs existentes continuam disponíveis.
Mas, se as contas pessoais não podem criar novos, o número de pessoas capazes de alimentar essa loja com novas ferramentas naturalmente diminui.
Ao mesmo tempo, o próprio ChatGPT mudou muito
Também seria injusto analisar essa decisão como se o ChatGPT tivesse permanecido parado desde o lançamento dos GPTs.
O produto mudou bastante.
Hoje existem recursos que simplesmente não estavam disponíveis da mesma maneira quando comecei a criar minhas ferramentas.
Projetos.
Memória.
Integração com arquivos.
Conectores.
Automações.
Agentes.
Workspaces.
Ferramentas externas.
Eu mesmo tenho mudado a maneira como trabalho com inteligência artificial.
Algumas tarefas que antes provavelmente virariam um GPT hoje acabam sendo organizadas dentro de projetos, agentes, fluxos ou automações maiores.
Mas isso não elimina completamente a utilidade dos GPTs.
Principalmente quando existe uma ferramenta que precisa ser compartilhada com outras pessoas de uma maneira simples.
Essa mudança reforça uma lição importante
Eu tenho GPTs que receberam bastante trabalho.
Não estou falando apenas de escrever:
“Você é especialista em marketing. Faça alguns posts.”
Alguns possuem instruções extensas.
Metodologias.
Arquivos.
Exemplos.
Documentos de referência.
Padrões editoriais.
Processos que foram refinados depois de muitos testes.
Esse tipo de coisa possui valor.
E essa mudança me lembrou de uma regra que serve para qualquer plataforma:
não deixe o conhecimento do seu processo preso exclusivamente dentro de uma ferramenta de terceiros.
Guarde suas instruções.
Mantenha os documentos originais.
Registre seus fluxos.
Faça cópias dos arquivos importantes.
Documente como aquela ferramenta funciona.
Tenha condições de reconstruir o processo fora da plataforma.
Porque produtos mudam.
Empresas mudam de estratégia.
Funcionalidades aparecem.
Funcionalidades desaparecem.
Planos mudam.
Preços mudam.
E aquilo que hoje parece uma característica permanente pode simplesmente não existir da mesma maneira amanhã.
Eu não vou abandonar o conceito
Talvez essa seja a conclusão mais importante.
Posso não conseguir criar novos GPTs usando minha conta pessoal da maneira como fazia antes.
Mas o conceito que me levou a criar todos eles continua absolutamente válido.
Especializar modelos.
Fornecer contexto.
Construir bases de conhecimento.
Criar regras.
Integrar sistemas.
Automatizar processos.
Transformar uma inteligência artificial generalista em uma ferramenta específica.
Na verdade, é justamente nessa direção que meu trabalho com IA está avançando.
A diferença é que agora isso pode acontecer por meio de agentes, APIs, automações e aplicações próprias, em vez de depender exclusivamente da interface de criação de GPTs.
Não é o fim dos GPTs, mas é o fim de uma fase
Eu não interpreto essa mudança como o fim dos GPTs.
A OpenAI continua oferecendo o recurso.
Os GPTs existentes continuam funcionando.
E eles ainda fazem parte do ecossistema do ChatGPT.
O que mudou foi quem pode criar novos.
Quando olho para minha tela com quase 30 GPTs, a sensação é estranha.
Ali estão ferramentas desenvolvidas para clientes, experiências que fiz, processos que automatizei, ideias que testei e GPTs que chegaram a milhares de conversas.
É praticamente um registro de uma fase inteira da minha utilização de inteligência artificial.
Eles continuam lá.
Posso continuar usando boa parte deles.
Posso continuar trabalhando nos que já existem.
Mas existe uma ironia difícil de ignorar:
depois de criar dezenas de GPTs dentro do ChatGPT, hoje eu não posso simplesmente criar o próximo usando minha própria conta pessoal.
E isso diz bastante sobre a maneira como o ChatGPT — e talvez toda essa indústria — está mudando.
Se você também criou GPTs para organizar seu trabalho ou compartilhar ferramentas, me conta: essa mudança afetou a maneira como você usa o ChatGPT?